Quem precifica um profissional não é a empresa.

É o mercado.

Essa é uma das conversas mais difíceis que tenho com clientes durante um processo de recrutamento.

Toda empresa tem um orçamento.

O mercado não.

O mercado determina quanto vale um profissional considerando a escassez daquele perfil, os resultados que entrega, o número de empresas disputando esse talento e o momento do setor.

É aí que muitos processos começam a fracassar.

A empresa decide que quer contratar alguém da concorrência.

Busca um profissional que conhece o mercado, domina a operação, tem relacionamento com clientes, entrega resultado desde o primeiro dia e ainda possui capacidade de liderar equipes.

Até aqui, faz todo sentido.

O problema aparece quando a proposta chega.

O salário está abaixo do mercado.

Os benefícios são menos competitivos.

O bônus não acompanha a concorrência.

A estrutura oferece menos recursos.

E, ainda assim, existe a expectativa de que esse profissional aceite a mudança.

Quando isso não acontece, a conclusão costuma ser sempre a mesma:

“Está muito difícil contratar bons profissionais.”

Na maioria das vezes, esse não é o verdadeiro problema.

O problema é acreditar que a empresa define quanto um talento vale.

Ela define quanto está disposta a investir.

Quem define o valor do talento é o mercado.

E ele faz isso diariamente.

Profissionais altamente qualificados recebem abordagens constantes, mesmo quando não estão procurando uma nova oportunidade.

Porque talento é um ativo disputado.

Isso significa que toda empresa precisa oferecer o maior salário?

Não.

Existe uma enorme diferença entre pagar acima do mercado e compreender o mercado.

Empresas conseguem atrair excelentes profissionais oferecendo uma remuneração semelhante e, às vezes, até um pouco menor, quando entregam algo que realmente pesa na decisão do candidato: uma liderança inspiradora, autonomia, desafios relevantes, cultura forte, perspectivas reais de crescimento ou um projeto no qual vale a pena apostar.

O problema surge quando a proposta é menos competitiva em praticamente todos os aspectos e, ainda assim, espera atrair exatamente o mesmo perfil que a concorrência.

Nesse momento, o desafio deixa de ser de recrutamento.

Passa a ser uma decisão de negócio.

Ao longo da minha carreira, participei de inúmeros projetos em que mapeamos o mercado, entrevistamos profissionais e analisamos remuneração, benefícios e movimentações.

Em muitos casos, os dados já mostravam com clareza que aquela oportunidade simplesmente não era competitiva.

Ainda assim, algumas empresas insistem em acreditar que o problema está na consultoria, nos candidatos ou na falta de profissionais.

Na realidade, o mercado apenas responde aos incentivos que recebe.

Contratar bem começa muito antes da entrevista.

Começa entendendo quem você quer atrair, por que essa pessoa mudaria de empresa e qual proposta de valor sua empresa realmente oferece.

Porque, no fim das contas, você pode definir o salário da vaga.

Mas o valor do talento continuará sendo definido pelo mercado.

E as empresas que entendem isso deixam de disputar candidatos.

Passam a construir oportunidades que os melhores profissionais querem escolher.

Quando uma contratação demora a acontecer, o problema costuma estar na escassez de talentos ou na competitividade da oportunidade oferecida?